segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

História ao gosto do freguês

Por Antonio Luiz Monteiro Coelho da Costa

Carta Capital - 12/01/09

Apoiar incondicionalmente as ações israelenses nunca pareceu tão tolo. No caso do jornalista português João Pereira Coutinho, em sua coluna na Folha de S.Paulo de 6 de janeiro, chegou-se aos mais profundos abismos da estupidez. Propôs um exercício de história alternativa, no qual o Brasil foi atacado em 1967 por três potências latino-americanas (sic), uma delas o Uruguai (!), que acaba ocupado. Em 2005, o Brasil se retira do Uruguai, como “primeiro passo para a existência de dois Estados soberanos, o Brasil e o Uruguai” (sic), mas o Rio Grande do Sul é bombardeado por terroristas uruguaios, apoiados por uma Argentina “liderada por um genocida que deseja ter capacidade nuclear para riscar o Brasil do mapa”. O Brasil então invade o Uruguai “para terminar, de uma vez por todas, com a agressão de que é vítima”.

Difícil imaginar recurso mais patético do que tentar mobilizar o chauvinismo dos brasileiros convidando-os a se imaginarem ameaçados pelo Uruguai e pela Argentina – mesmo que, além disso, essa ficção não falsificasse radicalmente a história e o contexto do conflito. Experimentemos tornar a analogia um pouco mais completa e assumir o ponto de vista do outro lado, por mais que isso possa soar politicamente incorreto.

Suponhamos que na Segunda Guerra Mundial não houvesse ocorrido o Holocausto, mas acabasse em completa destruição, desindustrialização e desmembramento completo da Alemanha (como chegou a propor o chamado plano Morgenthau, em 1944) e que sua consequência fosse o êxodo de milhões de alemães da Europa, impelidos pela destruição de sua indústria a se estabelecerem em outras partes do mundo.

O Brasil, no qual já havia uma importante colônia alemã e que acontecia ter sido ocupado pelos britânicos em uma guerra anterior, é seu destino preferencial. As nações ocidentais penitenciam-se da culpa pelo sofrimento dos refugiados alemães inocentes aprovando um plano para dividir o país entre nativos e imigrantes. Desafiados pelos nativos, em 1948 os imigrantes alemães e os descendentes de alemães que já viviam no Brasil se apoderam de três quartos do País e o transformam em um Estado de Teutônia, ao qual germano-descendentes de todo o mundo são convidados a imigrar, criar “um posto avançado da civilização” e “fazer florescer o sertão”.

Uma minoria de brasileiros permanece em Teutônia como cidadãos de segunda classe. A grande maioria é obrigada a implorar asilo na Argentina, Bolívia, Paraguai e Venezuela, ou se aglomerar em campos de refugiados no Rio de Janeiro e Nordeste, que se unem a outras nações latino-americanas. Estas, em 1967, desafiam a Teutônia e são derrotadas, o que resulta na ocupação total do que restava do território brasileiro.

A Teutônia continua a receber imigrantes e incentiva seu estabelecimento nos territórios recém-ocupados, distribuindo essas terras aos recém-chegados. Mas alguns brasileiros reagem à ocupação formando organizações de resistência que cometem atentados contra o governo e civis teutônicos. Algumas dessas organizações exigem a expulsão dos invasores e a restituição total do antigo território do Brasil, outras, conformam-se em aceitar um Estado brasileiro dentro dos limites de 1967 – Estado do Rio e Nordeste.

Os teutônicos não dão mostras de levar a sério essa possibilidade, apesar das pressões internacionais, até que o custo excessivo do conflito e da ocupação leva seu governo a decidir se retirar do Rio de Janeiro, imensa favela de 30 milhões de refugiados, e de municípios áridos, esparsos e superpovoados do interior do Nordeste, cercados de muralhas, postos de vigilância e prósperas fazendas teutônicas.

Apesar da resistência militante de alguns milhares de teutônicos que haviam recebido terras perto de Nova Friburgo, a retirada é efetivada e a administração desses guetos entregue a uma “autoridade brasileira” gerenciada por um partido corrupto e ineficaz, que continua a reivindicar inutilmente a independência dentro dos limites de 1967. Sua sede é um bolsão isolado em torno de Juazeiro do Norte, cercado de tropas teutônicas.

Algum tempo depois, a maioria dos refugiados elege para a autoridade uma facção radical da resistência, como a única capaz de impor alguma ordem e trazer alguma esperança e dignidade, principalmente no inferno no qual se transformou o antigo Estado do Rio. Seus territórios são impedidos de receber recursos e se comunicar com o mundo exterior, seu governo é sistematicamente sabotado e depois dissolvido pelo presidente títere, cuja guarda reprime violentamente a facção radical nos guetos nordestinos. A “autoridade brasileira” não consegue, porém, recuperar o controle do Rio de Janeiro, onde seus partidários são facilmente derrotados pela facção radical. Seus militantes, em protesto contra o bloqueio continuado de seu território, lançam pequenos foguetes que ocasionalmente atingem alvos aleatórios nas cidades “teutônicas” de Neubonn (Juiz de Fora) e Neuköln (Taubaté). Teutônia reage com bombardeios que matam e mutilam dezenas de milhares de homens, mulheres e crianças e com uma invasão maciça do Rio de Janeiro.

Ah, sim, e os militantes têm a simpatia do governo populista do México, que opera centrais nucleares, pesquisa o enriquecimento de urânio e cujo presidente, dado a bravatas, diz um dia que “o regime que ocupa São Paulo precisa desaparecer das páginas do tempo” – o que a mídia teutônica traduz como “riscar Teutônia do mapa”.

Absurdo? Ridículo? Sem dúvida. Mas algo menos que a versão do senhor Coutinho. Fantasia por fantasia, esta se parece mais com o que se passou e continua a se passar no Oriente Médio.

Mas o fato é que história no condicional, seja qual for seu potencial retórico e literário, não tem valor científico, jurídico ou político. Convenhamos em deixar os absurdos retóricos de lado e analisar o mundo real.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Um Israel satânico e genocida

por Khalid Amayreh

Durante anos tenho advertido que Israel é psicologicamente e moralmente capaz de executar um holocausto ou um genocídio contra o povo palestino. É desnecessário dizer que os horríveis acontecimentos das últimas duas semanas em Gaza confirmaram e justificaram as minhas convicções. Israel, governo e povo, parece possuírem a propensão psicológica que os leva a uma tal monstruosidade.

Sim, há uma minoria de judeus israelenses e judeus não-israelenses que dizem "Não" a todos estes males e crimes que Israel está a cometer em seu nome. Contudo, vamos ser honestos e realistas. Estas pessoas são uma pequena minoria e têm muito pouco influência, se é que alguma, sobre o governo e o exército israelense. Hoje, o que muitas pessoas pensaram que seria impensável ou absurdo quanto à extensão à qual Israel estaria disposto a ir na barbarização do povo palestino parece bastante possível à luz do comportamento nazi do Estado judeu na Faixa de Gaza.

Dada a mentalidade israelense, Israel pode bem estar à espera de que a mais recente carnificina genocida possa ter um certo efeito de des-sensibilização e des-mistificação sobre as percepções e atitudes do povo. A lógica é bastante simples. Se o mundo pode ser intimidado ou remetido ao silêncio e à apatia quando Gaza é arrasada e milhares dos seus habitantes são sacrificados em massa à plena vista da humanidade, o mesmo mundo pode do mesmo modo ser manipulado de modo semelhante para aceitar um genocídio ainda maior.

Na terça-feira, 6 de Janeiro, um oficial israelense, Eli Yeshai, apelou ao extermínio total de Gaza. O líder do ultra ortodoxo partido Shas argumentou que "o extermínio do inimigo é aprovado pelo Torá". Outros líderes políticos e religiosos israelenses ultimamente têm falado com entusiasmo da necessidade de "apagar Gaza da face da terra" e "aniquilar tudo o que se move ali".

Curiosamente, isto não é de modo algum uma opinião minoritária em Israel. Na verdade, alguém poderia seguramente argumentar que a "ideologia da aniquilação" representa agora a corrente principal na sociedade israelense. Como todos nós sabemos, Israel emprega pesadamente a falsidade, o engano e a desinformação para esconder, ou pelo menos borrar, a sua criminalidade e a sua barbárie.

A principal tarefa da máquina israelense do hasbara (os esforços do governo israelense e dos judeus sionistas para justificar os crimes do Estado de Israel) sempre foi e continua a ser transformar o negro em branco, o branco em negro e a grande mentira numa "verdade" glorificada por milhões, especialmente no Ocidente.

Para espalhar estas mentiras obscenas e "realidades virtuais", o governo israelense depende em grande medida dos media controlados ou influenciados por judeus no mundo ocidental, especialmente na América do Norte onde contar a verdade acerca de Israel é o supremo tabu. Na verdade, o que está a acontecer em Gaza é um enorme massacre de proporções genocidas como muitos judeus conscienciosos testemunharam.

O que mais se pode dizer deste desumano, deliberado e indiscriminado bombardeamento de bairros densamente povoados e campos de refugiados? Acredito que expressões como "enormes massacres" e "carnificina genocida" utilizado para o pesadelo de Gaza não podem ser descartadas por Israel e seus apoiantes simplesmente como exageros retóricos. Isto é, a menos que Israel encare os sofrimentos físicos e mentais como falsos, provavelmente porque os não judeus, ou "goim", são realmente considerados "animais humanos" por uma ampla e crescente classe de fanáticos rabis, políticos e líderes militares.

Até agora, mais de 4000 habitantes de Gaza foram cruelmente mortos ou mutilados ou incinerados em menos de duas semanas de intenso e indiscriminado bombardeamento aéreo e por artilharia alvejando tudo e todos. Mesquitas, lares, edifícios públicos, abrigos, escolas, faculdades, dormitórios, fábricas, instituições culturais, negócios, mesmo hospitais e farmácias assim como toda a infraestrutura civil foram bombardeados e reduzidos a entulho.

O bombardeamento raivoso de elevadas altitudes exterminou famílias e destruiu bairros inteiros. Isto provavelmente é o que os líderes israelenses tinham em mente quando falaram anteriormente acerca de uma campanha de "choque e pavor" contra Gaza.

Em 6 de Janeiro, tanques israelenses dispararam várias bombas de artilharia numa escola no campo de refugiados Jabalya, matando mais de 40 civis, principalmente crianças e mulheres, que haviam procurado abrigado na instalação da UNRWA (Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos). Dúzias de outros foram feridos, muitos criticamente.

Porta-vozes militares israelenses, que são realmente mentirosos profissionais, afirmaram que foram vistos combatentes palestinos na vizinhança do edifício e que alguns deles disparam sobre tropas israelenses a partir da escola. Contudo, responsáveis da ONU em Gaza negaram categoricamente o relato israelense, com um responsável da ONU a dizer que estava "99,99%" certo de que o exército israelense estava a mentir.

Anteriormente, a força aérea israelense atingiu um velório, matando 15 membros da mesma família. A morte pornográfica de civis não tem outra explicação senão o facto ostensivo de que Israel está a adoptar uma abordagem sem limitações em relação a Gaza, a qual ainda está sob ocupação israelense efectiva apesar da retirada das tropas israelenses do enclave costeiro há mais de três anos. Bem, se aceitarmos esta lógica, nomeadamente de que tudo é correcto na guerra, então os judeus deveriam parar de queixar-se acerca do que os exércitos de Hitler lhes fizeram durante a II Guerra Mundial.

É simplesmente inaceitável aplicar dois padrões de moralidade, um para judeus e outro para não-judeus. Pois se o que Israel está a fazer em Gaza é certo, como Israel e seus apoiantes sustentam, então o que os nazis fizeram na Europa há várias décadas também deve ter sido certo. E vice-versa. Afinal de contas, o crime não se torna kosher (legítimo) quando cometido por mãos judias.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Militantes sociais e intelectuais fazem ato em SP contra massacre em Gaza

Para protestar contra o massacre provocado pelo governo de Israel na Faixa de Gaza e a violação de direitos humanos, militantes de organizações da sociedade brasileira (entre elas UNE, CUT, CTB, MST, UBES, CMP, entidades de direitos humanos, intelectuais, estudantes, jornalistas e membros da comunidade palestina) estão organizando uma passeata para o próximo domingo (11) em São Paulo.

A concentração para o ato será no vão do Masp, na avenida Paulista, a partir das 10h.

Apesar de algumas organizações "suspeitas" estarem presentes, vale a pena.

Estudantes israelenses presos por rejeitar alistamento pedem ajuda

Pela Agência Carta Maior

No dia 18 de dezembro de 2008 foi iniciada uma campanha mundial em apoio aos estudantes israelenses presos por rejeitarem o alistamento no exército, por objeção de consciência. Os Shministim defendem um futuro de paz entre israelenses e palestinos e criticam a ação de seu país nos territórios ocupados. Eles esperam receber centenas de milhares de mensagens de apoio que serão entregues ao ministro da Defesa de Israel.

Os Shministim são jovens estudantes israelenses, todos com idade entre 16 e 19 anos, no final do segundo grau. Eles recusam o alistamento no exército de Israel por objeção de consciência. Estão presos por isso. Esses estudantes defendem um futuro de paz para israelenses e palestinos e negam-se a pegar em armas. Além da prisão, enfrentam uma enorme pressão da família, de amigos e do governo de Israel. No dia 18 de dezembro foi iniciada uma campanha mundial pela libertação desses jovens.

Os Shministim pediram ao grupo "Jewish Voice for Peace" para buscar pessoas em todo o mundo para pressionar o governo de Israel. Eles esperam receber centenas de milhares de cartões que serão entregues ao ministro da Defesa de Israel. Eles esperam representar não apenas os milhares que os precederam, não apenas os muitos jovens para quem eles são um exemplo, mas também querem representar pessoas de todo o mundo que querem a paz.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Gerações


Alguém acha que ele vai tomar alguma providência para o massacre palestino em Gaza?


Me refiro ao da esquerda.

Ataques israelenses contra escola da ONU em Gaza deixam três mortos


da Folha Online

Ao menos três palestinos morreram nesta terça-feira em bombardeios israelenses contra uma escola administrada por uma agência da ONU (Organização das Nações Unidas), na Cidade de Gaza, informaram uma fonte médica e um porta-voz da ONU.

Três pessoas morreram em um ataque aéreo israelense na cidade de Gaza contra a escola Asma, no campo de refugiados de Chati, administrada pela UNRWA, a agência da ONU para os refugiados palestinos, afirmou o porta-voz da mesma, Adnan Abu Hasna.
Hasna declarou que 450 pessoas estavam refugiadas na escola para escapar dos bombardeios em outros bairros da cidade.

Um outro porta-voz da agência afirmou à agência internacional de notícias Efe que a escola foi atingida por volta das 23h30 desta segunda-feira (5) (19h30, no horário de Brasília) por fogo israelense direto que provocou a morte de três homens jovens.

Os mortos são três civis homens da mesma família de 24, 25 e 29 anos. "A escola de Asma estava claramente identificada como edifício das Nações Unidas", afirmou a fonte, que disse que sua localização exata, assim como as de todas as instalações da ONU na Faixa de Gaza, tinha sido informada antes ao Exército israelense.

O porta-voz da UNRWA, Christopher Gunnes, qualificou o fato de "uma clara violação humanitária e da legislação internacional", que proíbe disparos contra escolas, hospitais e instalações humanitárias.

A UNRWA protestou perante o governo israelense pelo ataque e exigiu o início imediato de uma investigação imparcial sobre os fatos.

A agência de notícias France Presse informa ainda um segundo ataque a uma escola, em Khan Yunes, sul da faixa de Gaza. Um obus da artilharia israelense atingiu a entrada de uma escola e matou duas pessoas, segundo uma fonte médica.

Israel comanda nesta terça-feira o 11º dia consecutivo de uma grande ofensiva militar contra o grupo islâmico radical na faixa de Gaza, ataques que deixaram mais de 550 mortos e cerca de 2.500 feridos.

Segundo Israel, a ofensiva militar é justamente uma resposta à violação --com o lançamento constante de foguetes-- do Hamas da trégua de seis meses assinada com Israel e que acabou oficialmente no último dia 19.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

O Exército Palestino


Os Nazi-Semitas parecem gostar mais de sangue do que seu conterrâneo Adolf Hitler. "Procurar e Destruir", seja criança, mulher ou idoso.

Apenas lembrando. O Hamas foi eleito democraticamente.
São contra rostos assim que Israel luta? É bem possível...