Por Atilio Borón
Finalmente chegou o grande dia. Toda a imprensa mundial fala exclusivamente da nova era aberta pelo acesso de Barack Obama à Casa Branca. Isto confirma os prognósticos pessimistas acerca do papel retrógrado que os meios de comunicação do establishment cumprem ao aprofundar, com as ilusões e enganos da sua propaganda, a conversão à "sociedade do espectáculo", uma involução social onde o nível intelectual de grandes segmentos da população é rebaixado sistematicamente através da sua cuidadosa deseducação e desinformação. A rebaixante "Obamamania" é um magnífico exemplo disso.
Obama chegou à presidência dizendo que representava a mudança. Mas os indícios que surgem da conformação da sua equipa e das suas diversas declarações revelam que se há algo pelo que a sua administração primará é pela continuidade e não pelas mudanças. Haverá algumas, sem dúvida, mas serão marginais, em alguns casos cosméticas e nunca de fundo. O problema é que a sociedade norte-americana, especialmente no contexto da formidável crise económica com que se debate, precisa mudanças de fundo, e estas requerem algo mais que simpatia e eloquência no discurso. É preciso lutar contra adversários ricos e poderosos, mas nada indica que Obama esteja sequer remotamente disposto a considerar tal eventualidade. Vejamos alguns exemplos:
Mudança? Designando como chefe do seu Conselho de Assessores Económicos Lawrence Summers, antigo secretário do Tesouro de Bill Clinton e artífice da inaudita desregulamentação financeira dos anos noventa, provocadora da actual crise? Mudança? Ratificando como secretário da Defesa Robert Gates, designado por George W. Bush para conduzir a "guerra contra o terrorismo" por agora encenada no Iraque e Afeganistão? Mudança? Com personagens como o próprio Gates, ou Hillary Clinton, que apoiam sem restrições a reactivação da quarta frota destinada a dissuadir os povos latino-americanos e caribenhos de antagonizar os interesses e os desejos do império? Na sua audição perante o Senado, Clinton disse que a nova administração Obama deveria ter uma "agenda positiva" para a região, para neutralizar "o medo espalhado por Chávez e Evo Morales". Seguramente referir-se-ia ao medo de superar o analfabetismo ou terminar com a ausência total de cuidados médicos, ou ao medo que geram as constantes consultas eleitorais de governos como o da Venezuela ou da Bolívia, muito mais democráticos que o dos Estados Unidos, onde ainda existe uma instituição tão opaca como o colégio eleitoral que permitiu, como ocorreu em 2000, que George W. Bush derrotasse nesse âmbito antidemocrático o candidato que havia obtido a maioria do voto popular, Al Gore? Poderá esta secretária do Estado representar alguma mudança?
Mudança? Quando o líder político ficou fechado num estrondoso mutismo perante o brutal genocídio perpetrado em Gaza?
Que autoridade moral tem para mudar algo quem actuou desse modo? Como se pode supor que representa a mudança uma pessoa que diz à cadeia televisiva Univisión que "Chavéz foi uma força que impediu o progresso da região, (…) que a Venezuela está a exportar actividades terroristas e a dar abrigo a entidades como as FARC"? Tal despropósito e semelhantes mentiras não podem alimentar a mais pequena esperança e são confirmadas pela nomeação como um dos principais conselheiros sobre a América Latina do advogado Greg Craig, antigo assessor da inefável Madeleine Albright, ex-secretária de Estado de Bill Clinton, a mesma que dissera que as sanções contra o Iraque após a primeira Guerra do Golfo (que custaram entre meios milhão e um milhão e meio de vidas, predominantemente de crianças) "tinham valido a pena". Craig, como advogado, representa ainda Gonzalo Sánchez de Lozada, cuja extradição para a Bolívia foi solicitada pelo governo de Evo Morales para ser julgado pela repressão selvagem das grandes insurreições populares de 2003 que deixaram um saldo de 65 mortos e centenas de feridos. As suas credenciais são, pelo que vemos, perfeitas para produzir a tão desejada mudança.
Na mesma entrevista, Obama manifestou-se disposto a "suavizar as restrições às viagens e às remessas para Cuba", mas esclareceu que não contempla pôr fim ao embargo decretado contra Cuba em 1962. Disse ainda que poderia dialogar com o presidente Raúl Castro sempre e quando "La Habana se mostrar disposta a desenvolver as liberdades pessoais na ilha". Enfim, a mesma cantilena reaccionária de sempre. Um caso de gatopardismo de estirpe pura: algo tem de mudar, neste caso a cor da pele, para que nada mude no império.
Artigo veículado no site resistir.info
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Reclama aí Malu!
Malu Xavier · Olinda (PE) · 20/12/2006 14:34
Irrita-me muito quando eu vejo alguém limpando a calçada com jatos d'água.
O cara aqui do prédio do lado faz isso. Toda semana pega a mangueira e começa a tirar folhas do telhado e do chão empurrando-as com a água que sai da mangueira.
Mas que desperdício, hein? Vai pegar uma vassoura, ô filho da puta.
Talvez porque eu seja meio que a defensorazinha da natureza, que já fica com a consciência pesada quando toma um banho mais demorado(caô) ou quando deixa a torneira aberta enquanto escova os dentes ou quando gasta papel à toa.
Outro dia no ônibus uma mulher jogou um papel de bala pela janela e eu, sentada no banco ao lado dela, disse "Tem uma lixeira ali do lado, por que tu atirou o papel pela janela?", quando na verdade o que eu queria era ter dado um 'pedala-robinho' nela e saído correndo.
O pior é que, no fundo, esses detalhes não valem quase nada. Porque aí tu liga a TV e vê um navio derrubando 10 toneladas de petróleo numa baía, uma empresa despejando todo lixo num rio, um país não querendo assinar o tratado mundial da preservação do meio-ambiente.
Segue minha teoria: 95% das pessoas são burras e, das 5% que restam, 95% se esforçam pra também ser. E eu odeio pessoas burras.
* Essa é para complementar o texto acima:
"confesso que ele tem a razão, tanto que shows como Fresno e Lyse em porto alegre era tudo muito bom mas agora tudo é Fresno e todo mundo é emo. Tá foda, mas ainda escuto e ainda considero. Mas confesso,que foi uma palhaçada a saida do Lezo porque ele esta desde o inicio e ajudou muito a banda pra colocarem outro baixista como se nada tivesse acontecido por essas e outras o Fresno mudou sim e não foi pra melhor"
Eu juro que não sei de quem é a culpa. Das escolas? Dos professores? Da internet? Como estas pessoas vão escrever uma redação para o vestibular?
Isso só comprova minha teoria de que a burrice entre os adolescentes está em plena ascensão, e no ano 2060 o mundo vai acabar por alguma estupidez humana.
Irrita-me muito quando eu vejo alguém limpando a calçada com jatos d'água.
O cara aqui do prédio do lado faz isso. Toda semana pega a mangueira e começa a tirar folhas do telhado e do chão empurrando-as com a água que sai da mangueira.
Mas que desperdício, hein? Vai pegar uma vassoura, ô filho da puta.
Talvez porque eu seja meio que a defensorazinha da natureza, que já fica com a consciência pesada quando toma um banho mais demorado(caô) ou quando deixa a torneira aberta enquanto escova os dentes ou quando gasta papel à toa.
Outro dia no ônibus uma mulher jogou um papel de bala pela janela e eu, sentada no banco ao lado dela, disse "Tem uma lixeira ali do lado, por que tu atirou o papel pela janela?", quando na verdade o que eu queria era ter dado um 'pedala-robinho' nela e saído correndo.
O pior é que, no fundo, esses detalhes não valem quase nada. Porque aí tu liga a TV e vê um navio derrubando 10 toneladas de petróleo numa baía, uma empresa despejando todo lixo num rio, um país não querendo assinar o tratado mundial da preservação do meio-ambiente.
Segue minha teoria: 95% das pessoas são burras e, das 5% que restam, 95% se esforçam pra também ser. E eu odeio pessoas burras.
* Essa é para complementar o texto acima:
"confesso que ele tem a razão, tanto que shows como Fresno e Lyse em porto alegre era tudo muito bom mas agora tudo é Fresno e todo mundo é emo. Tá foda, mas ainda escuto e ainda considero. Mas confesso,que foi uma palhaçada a saida do Lezo porque ele esta desde o inicio e ajudou muito a banda pra colocarem outro baixista como se nada tivesse acontecido por essas e outras o Fresno mudou sim e não foi pra melhor"
Eu juro que não sei de quem é a culpa. Das escolas? Dos professores? Da internet? Como estas pessoas vão escrever uma redação para o vestibular?
Isso só comprova minha teoria de que a burrice entre os adolescentes está em plena ascensão, e no ano 2060 o mundo vai acabar por alguma estupidez humana.
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Fórum Social Mundial pede socorro em nome da Amazônia
Por Agência Efe
Milhares de pessoas lançaram um grito de socorro em nome da Amazônia, na primeira das diversas atividades do Fórum Social Mundial, que começa hoje em Belém.
Recebidos por uma multidão, cerca de 1.500 índios e ativistas de grupos ambientalistas que participam do encontro contra a globalização se reuniram no campus da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) para formar a frase "Salvem a Amazônia".Índios de Brasil, Bolívia e Peru se juntaram no ato com ativistas de América Latina e Europa, a maioria dos participantes do Fórum Social Mundial.
A índia aimara boliviana Viviana Lima, que viajou de La Paz a Belém para o encontro, disse à Agência Efe que o ato era também "uma homenagem à Pachamama", como os índios do Planalto chamam a "Mãe Terra"."Viemos ao fórum para que todos possam escutar a voz dos povos indígenas, que não querem ver suas terras e suas águas transformadas em mercadorias", apontou.
O ato, fotografado de dois helicópteros que sobrevoavam o campus da UFRA, foi organizado por líderes indígenas e grupos ambientalistas americanos e europeus, como a Amazon Watch, Amazon Alliance, Rainforest Action Network e o SpectralQ.Segundo a Amazon Watch, a intenção foi "chamar a atenção sobre o aumento do problema ecológico e social das selvas amazônicas".
Em comunicado, a ONG afirmou que a Amazônia está "sob uma ameaça grave pela expansão industrial, agrícola e urbana, e se aproxima rapidamente de um ponto crucial"."Quase um quinto da floresta amazônica foi desflorestada nas últimas quatro décadas, e a cada ano, entre 11 mil e 27 mil quilômetros quadrados de florestas são destruídos", disse a Amazon Watch.
Além disso, a ONG indicou que "se os planos de desenvolvimento para a Amazônia continuarem sem controle, esta região primordial para a estabilidade climática, estará à beira de uma permanente ruína ecológica em um período de 10 a 20 anos", o que vai acelerar o processo de reaquecimento global.
O Fórum Social Mundial, que começará formalmente hoje com uma grande manifestação pela paz e a Justiça social, terá este ano um forte conteúdo ambiental.
domingo, 25 de janeiro de 2009
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Sebo não é depósito de papel velho
Por Isabella Mendonça
Em Portugal a palavra alfarrábio ainda é usada para designar um livro velho e também uma livraria de livros antigos, e o alfarrabista é aquele que os comercializa. No Brasil, a livraria que comercializa livros usados é conhecida como sebo. Desconhecemos a época em que essa palavra passou a ser adotada em nosso país, mas certamente deriva da idéia de que um livro usado é ensebado pelo próprio manuseio constante. E o livreiro de livros usados, ainda de acordo com o Aurélio é sebista. Além dessa indagação, com freqüência sou surpreendida com exclamações de surpresa, de pessoas que desconhecem completamente essa atividade. Há aquelas outras ainda, que apesar de a conhecerem, não adquirem livros usados pois acreditem, pasmem, que o livro velho pode ser transmissor de doenças, entre outras coisas.
É claro que, numa sociedade de consumo como a nossa, onde a idéia de sucesso pessoal está ligada ao poder aquisitivo da novidade, do último modelo de carro à roupa da moda, a idéia do livro velho soa, para muitos, como uma extravagância. Felizmente, não é assim que a confraria de iniciados pensa. Os chamados ratos de sebo, que vasculham as prateleiras com a volúpia de quem garimpa tesouros, aquela edição procurada há anos, ou simplesmente à busca do prazer da surpresa, às vezes contido simplesmente no manuseio do livro, no apreciar sua arte gráfica ou no percorrer os olhos pelas ilustrações, como verdadeiro objeto de arte, de conhecimento e de paixão. Para esses, nada é comparável à surpresa, à alegria do "achado". Um volume que, certamente já passou pelas mãos de tantos, sem que lhe tivessem notado o valor, que pode ir desde o simples gosto pessoal por determinado assunto, uma peça da coleção que cada um estabelece para si, uma primeira edição de poucos e raros exemplares no mercado, uma encadernação artística, enfim, um exemplar que represente para o seu "descobridor" algo especial ou apenas necessário a um trabalho de pesquisa.
Para se ter uma idéia do perfil desse devorador de alfarrábios, ele tem em média mais de 30 anos, quase sempre possui instrução de nível superior, possui uma cultura geral bastante boa, e adora trocar informações e contar histórias, como todo bom pescador.
Com o elevado preço dos livros, outro consumidor descobriu a vantagem do livro usado: o estudante (ou os pais do estudante) que, antes de o procurarem nas livrarias convencionais, fazem uma pesquisa no sebo à busca de um exemplar que, na maioria dos casos, custa menos de 50% do novo. Como cada vez se lê menos, e o nosso é um país de pessoas com menos de 30 anos, este novo consumidor é o que realmente mantém os sebos em atividade. Além desses consumidores, há outro tipo de pessoa que procura o sebo após uma limpeza na casa e um desejo urgente de se livrar do lixo acumulado durante anos. O que é pior, na maioria das vezes é lixo mesmo, que vai de cadernos escolares dos filhos que já casaram a livros de primeiro grau já totalmente rabiscados, rasgados, cheirando a mofo pelo longo tempo armazenado em úmidos porões. Essas pessoas confundem sebo com depósito de papel velho e ficam muito indignadas quando o livreiro se nega a receber o produto da faxina, mesmo de graça. Não entenderam o valor e o verdadeiro papel de uma livraria de livros usados, preservadora da memória do município, do estado, do país, do planeta, guardiões de tesouros do saber, que fazem circular obras às vezes editadas apenas uma vez e, não fossem esses caminhos mágicos do percurso do livro, seriam transformados em tiras para reciclagem. Um sebo não é depósito de papel velho e muito menos um mero comércio, um sebo é um repositório da memória. "LIVRO NOVO É AQUELE QUE VOCÊ NÃO LEU. EXPERIMENTE."
Compacto extraído de diálogo com autor do blog http://blog.alpharrabio.com.br
Em Portugal a palavra alfarrábio ainda é usada para designar um livro velho e também uma livraria de livros antigos, e o alfarrabista é aquele que os comercializa. No Brasil, a livraria que comercializa livros usados é conhecida como sebo. Desconhecemos a época em que essa palavra passou a ser adotada em nosso país, mas certamente deriva da idéia de que um livro usado é ensebado pelo próprio manuseio constante. E o livreiro de livros usados, ainda de acordo com o Aurélio é sebista. Além dessa indagação, com freqüência sou surpreendida com exclamações de surpresa, de pessoas que desconhecem completamente essa atividade. Há aquelas outras ainda, que apesar de a conhecerem, não adquirem livros usados pois acreditem, pasmem, que o livro velho pode ser transmissor de doenças, entre outras coisas.
É claro que, numa sociedade de consumo como a nossa, onde a idéia de sucesso pessoal está ligada ao poder aquisitivo da novidade, do último modelo de carro à roupa da moda, a idéia do livro velho soa, para muitos, como uma extravagância. Felizmente, não é assim que a confraria de iniciados pensa. Os chamados ratos de sebo, que vasculham as prateleiras com a volúpia de quem garimpa tesouros, aquela edição procurada há anos, ou simplesmente à busca do prazer da surpresa, às vezes contido simplesmente no manuseio do livro, no apreciar sua arte gráfica ou no percorrer os olhos pelas ilustrações, como verdadeiro objeto de arte, de conhecimento e de paixão. Para esses, nada é comparável à surpresa, à alegria do "achado". Um volume que, certamente já passou pelas mãos de tantos, sem que lhe tivessem notado o valor, que pode ir desde o simples gosto pessoal por determinado assunto, uma peça da coleção que cada um estabelece para si, uma primeira edição de poucos e raros exemplares no mercado, uma encadernação artística, enfim, um exemplar que represente para o seu "descobridor" algo especial ou apenas necessário a um trabalho de pesquisa.
Para se ter uma idéia do perfil desse devorador de alfarrábios, ele tem em média mais de 30 anos, quase sempre possui instrução de nível superior, possui uma cultura geral bastante boa, e adora trocar informações e contar histórias, como todo bom pescador.
Com o elevado preço dos livros, outro consumidor descobriu a vantagem do livro usado: o estudante (ou os pais do estudante) que, antes de o procurarem nas livrarias convencionais, fazem uma pesquisa no sebo à busca de um exemplar que, na maioria dos casos, custa menos de 50% do novo. Como cada vez se lê menos, e o nosso é um país de pessoas com menos de 30 anos, este novo consumidor é o que realmente mantém os sebos em atividade. Além desses consumidores, há outro tipo de pessoa que procura o sebo após uma limpeza na casa e um desejo urgente de se livrar do lixo acumulado durante anos. O que é pior, na maioria das vezes é lixo mesmo, que vai de cadernos escolares dos filhos que já casaram a livros de primeiro grau já totalmente rabiscados, rasgados, cheirando a mofo pelo longo tempo armazenado em úmidos porões. Essas pessoas confundem sebo com depósito de papel velho e ficam muito indignadas quando o livreiro se nega a receber o produto da faxina, mesmo de graça. Não entenderam o valor e o verdadeiro papel de uma livraria de livros usados, preservadora da memória do município, do estado, do país, do planeta, guardiões de tesouros do saber, que fazem circular obras às vezes editadas apenas uma vez e, não fossem esses caminhos mágicos do percurso do livro, seriam transformados em tiras para reciclagem. Um sebo não é depósito de papel velho e muito menos um mero comércio, um sebo é um repositório da memória. "LIVRO NOVO É AQUELE QUE VOCÊ NÃO LEU. EXPERIMENTE."
Compacto extraído de diálogo com autor do blog http://blog.alpharrabio.com.br
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domingo, 18 de janeiro de 2009
O MST DE ONTEM E DE HOJE

Por THIAGO ERMANO
Desde o nascimento, a história do MST (Movimento dos Sem Terras) é marcada por lutas armadas, greves de fome e discussões - muitas vezes sem resultado - com representantes do governo.
Na década de 1980 o êxodo rural, a internacionalização do Brasil e o abandono dos trabalhadores do campo fizeram do MST ganhar força e ser visto de perto por muitos como radicais e indesejáveis por governos de direita, entidades de classes intelectuais e outros grupos, que mantinham o País nas mãos.
O movimento nasceu pelo cansaço e revolta de subexistir às margens do Brasil em evolução. Eram trabalhadores do campo que plantavam de tudo para o que viviam nas cidades. Chegava a hora de reagir e exigir o que a terra poderia lhes dar, além de comida: um título, um lugar próprio e que ninguém pudesse tirá-los do lugar onde sempre trabalhariam em prol do sustento.
A religião também ajudou nesse movimento social. Com a expulsão de muitas famílias em engenhos, a fome, o desânimo e a fé foram pontos marcantes para a busca de condições melhores para os pequenos agricultores campesinos.
Cinco anos depois, as condições sub-humanas em que viviam as famílias rurais - e que migravam cada vez mais para zonas urbanizadas, em busca de terras para tomarem posses - já eram discutidas no 1º Congresso Nacional dos Sem Terra.
O movimento conta hoje com cerca de 400 associações de produção, comercialização e serviços. São 49 Cooperativas de Produção Agropecuária, com 2299famílias associadas. O movimento mantém 32 Cooperativas de Prestação de Serviços com 11174 sócios diretos - duas Cooperativas Regionais de Comercialização e três Cooperativas de Crédito com 6521 associados.
UMA MANCHA NA HISTÓRIA DO BRASIL: O MASSACRE DE CARAJÁS
No dia 17 de abril de 1996, o 19 sem-terra foram executados pela Polícia Militar do Pará, após um confronto com 1500 ocupantes que estavam acampados na região. A ação campesina não era violenta, apenas marchava em protesto contra a demora da desapropriação de terras na região que nada mais produziam. A ordem para a ação policial partiu do Secretário de Segurança do Pará, Paulo Sette Câmara para que eles fossem retirados à força, desobstruindo a rodovia PA-150, que liga a capital Belém ao sul do estado.
Paulo Sette Câmara declarou depois do ocorrido que autorizara "usar a força necessária, inclusive atirar". De acordo com os sem-terra ouvidos pela imprensa na época, os policiais chegaram ao local jogando bombas de gás lacrimogêneo. Os sem-terra revidaram com foices, facões, paus e pedras. A luta estava armada...
Acuada pelo revide inesperado, a polícia recuou atirando. Além das 19 pessoas que morreram na hora, outras sessenta e sete ficaram feridas. Anos depois, outras duas morreram, vítimas das sequelas deixadas pelo confronto sangrento.
Segundo o legista Nélson Massini, que fez a perícia dos corpos, pelo menos 10 sem-terra foram executados. Sete lavradores foram mortos por instrumentos cortantes, como foices e facões.
O ministro da Agricultura da época, Andrade Vieira, encarregado pela reforma agrária, pediu demissão na mesma noite. O caso ganhou repercussão internacional, o que fortaleceu o ideal do movimento.
Ainda hoje a violência no campo tem ganhado destaque nas estatísticas da luta pela terra em todo o País. Só no ano passado, segundo dados da Comissão Pastoral da Terra, houve 1690 casos de crises no campo, envolvendo mais de um milhão de pessoas e resultando na morte de 73 agricultores. Os índices alcançados no primeiro ano do Governo Lula são os mais altos desde 1985.
VITÓRIAS E FRUSTRAÇÕES: 25 ANOS DE MST
O movimento de esquerda, que tem como objetivo a luta em defesa dos direitos camponeses chega aos 25 anos bem diferente de seu começo desbravatório. Mais politizado e, de certo, mais polido, perdeu espaço nas lutas sociais do País a partir de 2002, com a chegada de um dos principais militantes de esquerda do Brasil à presidência da república: Lula. Com os auxílios "sociais" concedidos pelo Governo Federal (como o Bolsa Família), a diminuição de acampamentos caiu drasticamente (quase 90% dos que buscavam um espaço já estão assentados) perdeu-se a razão de lutas mais agressivas em busca dos objetivos.
Uma pesquisa do Data Folha, de 1996, mostrou que para centenas de membros do MST, a razão para a entrada no movimento era atribuída a questões econômicas, ou seja, condições de pagar o que se come e onde se mora. Não que esse número signifique a Reforma Agrária brasileira. Segundo dados fornecidos pelo Governo Federal, entre 2003e 2007, 68,5% dos sem-terra foram assentados na Amazônia Legal. Bem longe das bases tradicionais das regiões Sul, Sudeste e Nordeste.
A bandeira vermelha petista virou oposição para o MST. Segundo o professor da UNESP, Bernarndo Fernandes, "o papel atual do movimento é seguir lutando para o desenvolvimento a partir dos paradigmas que defendem o campo como lugar de vida, onde as pessoas possam produzir produtos saudáveis, recuperando ambientes degradados pela produção monocultura de grande escala".
Na década de 1980 o êxodo rural, a internacionalização do Brasil e o abandono dos trabalhadores do campo fizeram do MST ganhar força e ser visto de perto por muitos como radicais e indesejáveis por governos de direita, entidades de classes intelectuais e outros grupos, que mantinham o País nas mãos.
O movimento nasceu pelo cansaço e revolta de subexistir às margens do Brasil em evolução. Eram trabalhadores do campo que plantavam de tudo para o que viviam nas cidades. Chegava a hora de reagir e exigir o que a terra poderia lhes dar, além de comida: um título, um lugar próprio e que ninguém pudesse tirá-los do lugar onde sempre trabalhariam em prol do sustento.
A religião também ajudou nesse movimento social. Com a expulsão de muitas famílias em engenhos, a fome, o desânimo e a fé foram pontos marcantes para a busca de condições melhores para os pequenos agricultores campesinos.
Cinco anos depois, as condições sub-humanas em que viviam as famílias rurais - e que migravam cada vez mais para zonas urbanizadas, em busca de terras para tomarem posses - já eram discutidas no 1º Congresso Nacional dos Sem Terra.
O movimento conta hoje com cerca de 400 associações de produção, comercialização e serviços. São 49 Cooperativas de Produção Agropecuária, com 2299famílias associadas. O movimento mantém 32 Cooperativas de Prestação de Serviços com 11174 sócios diretos - duas Cooperativas Regionais de Comercialização e três Cooperativas de Crédito com 6521 associados.
UMA MANCHA NA HISTÓRIA DO BRASIL: O MASSACRE DE CARAJÁS
No dia 17 de abril de 1996, o 19 sem-terra foram executados pela Polícia Militar do Pará, após um confronto com 1500 ocupantes que estavam acampados na região. A ação campesina não era violenta, apenas marchava em protesto contra a demora da desapropriação de terras na região que nada mais produziam. A ordem para a ação policial partiu do Secretário de Segurança do Pará, Paulo Sette Câmara para que eles fossem retirados à força, desobstruindo a rodovia PA-150, que liga a capital Belém ao sul do estado.
Paulo Sette Câmara declarou depois do ocorrido que autorizara "usar a força necessária, inclusive atirar". De acordo com os sem-terra ouvidos pela imprensa na época, os policiais chegaram ao local jogando bombas de gás lacrimogêneo. Os sem-terra revidaram com foices, facões, paus e pedras. A luta estava armada...
Acuada pelo revide inesperado, a polícia recuou atirando. Além das 19 pessoas que morreram na hora, outras sessenta e sete ficaram feridas. Anos depois, outras duas morreram, vítimas das sequelas deixadas pelo confronto sangrento.
Segundo o legista Nélson Massini, que fez a perícia dos corpos, pelo menos 10 sem-terra foram executados. Sete lavradores foram mortos por instrumentos cortantes, como foices e facões.
O ministro da Agricultura da época, Andrade Vieira, encarregado pela reforma agrária, pediu demissão na mesma noite. O caso ganhou repercussão internacional, o que fortaleceu o ideal do movimento.
Ainda hoje a violência no campo tem ganhado destaque nas estatísticas da luta pela terra em todo o País. Só no ano passado, segundo dados da Comissão Pastoral da Terra, houve 1690 casos de crises no campo, envolvendo mais de um milhão de pessoas e resultando na morte de 73 agricultores. Os índices alcançados no primeiro ano do Governo Lula são os mais altos desde 1985.
VITÓRIAS E FRUSTRAÇÕES: 25 ANOS DE MST
O movimento de esquerda, que tem como objetivo a luta em defesa dos direitos camponeses chega aos 25 anos bem diferente de seu começo desbravatório. Mais politizado e, de certo, mais polido, perdeu espaço nas lutas sociais do País a partir de 2002, com a chegada de um dos principais militantes de esquerda do Brasil à presidência da república: Lula. Com os auxílios "sociais" concedidos pelo Governo Federal (como o Bolsa Família), a diminuição de acampamentos caiu drasticamente (quase 90% dos que buscavam um espaço já estão assentados) perdeu-se a razão de lutas mais agressivas em busca dos objetivos.
Uma pesquisa do Data Folha, de 1996, mostrou que para centenas de membros do MST, a razão para a entrada no movimento era atribuída a questões econômicas, ou seja, condições de pagar o que se come e onde se mora. Não que esse número signifique a Reforma Agrária brasileira. Segundo dados fornecidos pelo Governo Federal, entre 2003e 2007, 68,5% dos sem-terra foram assentados na Amazônia Legal. Bem longe das bases tradicionais das regiões Sul, Sudeste e Nordeste.
A bandeira vermelha petista virou oposição para o MST. Segundo o professor da UNESP, Bernarndo Fernandes, "o papel atual do movimento é seguir lutando para o desenvolvimento a partir dos paradigmas que defendem o campo como lugar de vida, onde as pessoas possam produzir produtos saudáveis, recuperando ambientes degradados pela produção monocultura de grande escala".
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